A Torre Negra – Crítica

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Indeciso entre o fantástico e o real, A Torre Negra consegue evitar o desastre e entretém graças às performances de Idris Elba e Matthew McConaughey.

No centro do universo há uma estrutura – a Torre Negra – que protege todos os mundos da escuridão e criaturas malignas. Para destrui-la e ver o caos reinar sobre tudo e todos, Walter O’Dim, também conhecido como o Homem de Preto (McCounaghey), encontra na mente de crianças o poder necessário para alimentar sua máquina que cumprirá seu objetivo. Paralelamente, Jake Chambers (Tom Taylor) sonha com Homem de Preto e o misterioso Pistoleiro (Idris Elba): único sobrevivente da ordem de guerreiros que defendiam a Torre do Homem de Preto. Imune à magia do personagem de McConaughey, o Pistoleiro renega seu posto de defesa e busca vingança sobre o terrível vilão, mas acaba cruzando caminho com o jovem Chambers – que mostra mais do que os olhos podem ver.

A adaptação da série escrita por Stephen King caminha em um bom ritmo durante todos os seus 95 minutos, mas não consegue se definir como uma obra fantástica ou realista – mesmo intercalando cenas entre a Terra, o deserto de Mid-World e a máquina de destruição do Homem de Preto. Poucas variações criativas dão as caras e, aparentemente, todos os inúmeros planetas protegidos pela Torre são povoados por humanos. Este pode ser um reflexo de seu baixo orçamento (US$ 60 milhões), que vai em contramão às grandes adaptações e obras fantásticas no cinema hollywoodiano – caso de Valerian, que circulou os US$ 180 milhões de produção. Com medo de ser grande, o filme não tira proveito da cria de Stephen King e transmite essa insegurança constantemente.

Mesmo sem explorar o utópico visual de forma profunda, A Torre Negra prefere ir direto ao ponto narrativo e não se amarra no desnecessário. Tudo é bem explicado – às vezes, mais de uma vez – e não somos desnorteados com informações irrelevantes ou que soltam pontas para outras interpretações, abrindo caminho para a aventura e conclusão da jornada do Pistoleiro e Jake Chambers. Porém, em meio aos desenrolares da narrativa e descobertas dos personagens, o filme apresenta poucos momentos de ação – mesmo que fortes e bem executados. As armas e habilidades do Pistoleiro de Elba são a grande aposta para tirar proveito de cenas intensas, enquanto a mágica do Homem de Preto é quase sempre subjetiva, e chegamos ao clímax sem saber do completo poder do antagonista.

Já que a fantasia e a ação encontram pouco espaço no filme, a trilha para as performances de seus protagonistas é um campo aberto. Do lado de Elba, o peso de seu passado e sua sede de vingança são o combustível para seguir em frente, e o ator mantém seu alto nível desde o começo do longa. Já McConaughey demonstra conforto no sadismo e parece se divertir ao causar o caos – sempre de forma elegante e eloquente. O jovem Tom Taylor não compromete, mas, por ser o ponto central de A Torre Negra, não demonstra o mesmo carisma que os outros atores e falha ao tentar se conectar com o espectador.

Mesmo com o desempenho dos atores, A Torre Negra fica presa entre a fantasia e a realidade, e não consegue mostrar sua verdadeira face através de uma narrativa clara e simples. Sem fichas para apostar e aprofundar na sua obra original, a adaptação do diretor Nikolaj Arcel tem, infelizmente, medo de ser mais do que deveria.

 

60%
60%
Bom

A Torre Negra (2017)
(The Dark Tower)
País: EUA | Classificação: 13 anos | Estreia: 24 de agosto de 2017
Direção: Nikolaj Arcel | Roteiro: Nikolaj Arcel, Akiva Goldsman, Jeff Pinkner e Anders Thomas Jensen
Elenco: Idris Elba, Matthew McConaughey, Tom Taylor, Katheryn Winnick, Claudia Kim, Jackie Earle Haley, Dennis Haysbert, Michael Barbieri, Fran Kranz, Abbey Lee

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Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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