Em Ritmo de Fuga – “O filme tem coração”, diz diretor

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Edgar Wright, o diretor de Em Ritmo de Fuga, e o ator Ansel Elgort, estiveram hoje (24) em uma coletiva de imprensa com jornalistas em São Paulo para falar sobre o filme, que chega aos cinemas no dia 27 de julho.

Em Ritmo de Fuga mostra a jornada de “um talentoso piloto de fuga (Ansel Elgort) que confia na batida da sua trilha sonora para ser o melhor de todos no que faz.” O filme funciona como uma grande ópera automobilística, sincronizando músicas com coreografias e grandes cenas de ação – você pode ler nossa crítica do filme aqui. Durante a coletiva de imprensa com o Edgar Wright e Ansel Elgort, diretor e ator explicaram como as cenas com carros funcionaram, a relação da música com o filme, e mais. Edgar Wright é conhecido por filmes como Scott Pilgrim Contra o Mundo, Todo Mundo Quase Morto e Hot Fuzz, enquanto Ansel Elgort estrelou a adaptação da série Divergente e A Culpa é das Estrelas.

Ação, trilha sonora e homenagem:

Infelizmente não me deixaram fazer todas as cenas com carros no filme, embora quisesse muito. Provavelmente por que não queriam que eu matasse Jamie Foxx ou Jon Hamm [atores que interpretam Bats e Buddy, respectivamente]”, disse Elgort, que passou um mês se preparando para dar autenticidade às cenas de perseguição. O ator também fala sobre a trilha sonora do filme, que contava com vinte e cinco músicas no primeiro rascunho do roteiro. “Eu escutei a trilha sonora em 2014, quando li o roteiro pela primeira vez e fiz o teste para o papel. E ela não mudou muito durante a produção do filme após todos esses anos.

Ainda sobre a trilha, o diretor falou sobre a influência musical durante as transições de cenas, sempre preocupado com a sintonia entre músicas e filmagens. “Quase todas as transições foram pensadas antes das filmagens e estavam no roteiro e em storyboards. Ocasionalmente tínhamos ideias diferentes, como na cena final com o elevador. Achei que seria legal filmar Baby de cima, diferente do que estava no roteiro. Você não consegue inventar no set. Uma coisa interessante é que sempre havia um editor para ter certeza de que o timing com as músicas e cenas estavam funcionando.

Perguntado sobre o traje de Baby no final do filme, que levantou suspeitas sobre uma possível homenagem a Han Solo e ao final de Blade Runner, Wright explica que não havia pensado nisso, mas entende as referências. “Foi uma coincidência. Não foi intencional, mas é engraçado porque eu pensei nisso quando filmamos aquela cena.” Elgort também falou sobre Han Solo, revelando seu nome nos tempos de DJ. “Eu não estava ciente disso, mas acho legal. Falávamos ontem sobre o quão legal ele é. E, também, meu nome como DJ era Han Solo.”

Edgar Wright (esquerda) e Ansel Elgort no set de Em Ritmo de Fuga.

Coração e bastidores:

Acredito que o filme tem muito coração. Acho que uma das razões pelas conexões com meus filmes são as emoções que estão em seu núcleo, o que os tornam reais e sinceros para mim. Um dos motivos sobre o crescimento de público desse filme é a conexão que fazemos com esse jovem casal“, disse Wright. Ansel aproveitou para falar sobre momentos divertidos no set de filmagens. “Quando estava atuando com Jamie Foxx, que tem o personagem mais assustador mas mais engraçado do filme, ele sempre improvisava nas nossas cenas. Eu colocava a mão no bolso e aumentava o volume do iPod ao máximo para não ouvi-lo, algo que Baby faria na mesma situação.”

Wright começou a escrever o filme após escutar Bellbottoms, de Jon Spencer Blues Explosion, em 1995, e disse que o roteiro só avançava quando tinha uma música certa para suas cenas. Na época, Wright ainda não trabalhava como diretor. “Eu não escrevia uma cena enquanto não tivesse uma música para ela. Diretores como Scorcese ou Tarantino, colocam uma introdução legal, pessoas andando por um corredor, e diminuem o volume da música [fade out], mas eu escrevi as cenas para as músicas.” O diretor também falou sobre a participação de Flea, baixista da banda Red Hot Chilli Peppers, em Baby Driver. “Um ator apareceu para o teste e ele parecia ser uma versão jovem do Flea. Estava jantando com Leo [Thompson, produtor do filme], e disse ‘Flea deveria estar no filme.

A cena inicial serve para mostrar Baby em sua bolha, após a cena de perseguição, mas também serve para mostrar que ele é um garoto. Também foi importante mostrar que, após a cena inicial, ele sofre as consequências de seu crime e sai de sua bolha“, disse Wright, também revelando que o público pode encontra-lo em uma cena específica. “É curioso. Sabe quando Baby está ouvindo música e finge tocar trompete na vitrine de uma loja? Você pode me ver no reflexo do vidro. Foi um erro por que, nessa sequência, a câmera foi removida digitalmente, mas eu também apareço segurando um monitor, mas a equipe substituiu o monitor por um iPhone. Estou no filme”, brinca o diretor.

Edgar Wright (esquerda) e Ansel Elgort durante a coletiva de imprensa em São Paulo.

Influências:

Sobre influências para as sequências de ação que envolveram perseguições com carros, o diretor lista filmes que o inspiraram em Baby Driver. “Cresci assistindo esses filmes na televisão e ainda amo filmes com carros. Operação França, Bullet, Blues Brothers, todos estes da época pré computação gráfica. São todos reais e me influenciaram muito. Assim como filmes sobre roubos: Resgate em Alta Velocidade, Fogo Contra Fogo“. Já Ansel explica que Baby tenta se mover como Gene Kelly [ator e dançarino que estrelou Cantando na Chuva]. “Sempre fui muito fã de Gene Kelly e, embora Baby não dance como Gene Kelly, foi uma referência. Mas, em termos de dança, Baby se move de forma única e relacionável.

O diretor finaliza explicando a participação de músicos em Baby Driver, caso de Sky Ferreira, que interpreta a mãe de Baby. “Gostei muito do primeiro álbum dela [Night Time, My Time] e a encontrei em Los Angeles para falar sobre o filme. Não queria uma atriz para atuar e outra para sobrepor a voz da personagem, queria ouvi-la cantar e interpretar a mãe de Baby. Queria que os atores de suporte fossem músicos como Sky Ferreira.”

Ansel terminou sua participação falando sobre a honra de trabalhar com atores consagrados como Jamie Foxx e Kevin Spacey, que interpreta Doc em Baby Driver. “São lendas e ícones, e me lembro de estar nervoso em trabalhar com eles. Mas, quando apareci para os ensaios, Jamie me convidou para ir à sua casa para ouvir minhas músicas e jogar basquete. Naquela noite, quando nos conhecemos, fui à sua casa e fizemos tudo isso. Já havia trabalhado com Kevin anteriormente, e tenho ótimas impressões desses caras, mais do que com outras pessoas com quem trabalhei. São lendas respeitáveis generosas que estavam lá pra me apoiar. Amo esses caras e somos ótimos amigos.”

Em Ritmo de Fuga chega aos cinemas brasileiros no dia 27 de julho e também conta com Jon Bernthal, Jon Hamm, Eiza Gonzáles, Lily James, Jamie Foxx, Kevin Spacey e CJ Jones no elenco.

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Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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