Dunkirk – Crítica

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Em Dunkirk, somos apresentados à história da famosa Operação Dínamo. Uma operação militar da Segunda Guerra Mundial que ocorreu entre maio e junho de 1940, onde cerca de 340 mil soldados aliados foram evacuados das praias de Dunquerque, após serem cercados pelas forças nazistas. A ação que resgatou os exércitos britânico, francês e belga, foi encarada por muitos como um símbolo de uma derrota. Já Nolan enxergou o fato histórico como uma vitória da sobrevivência.

É a partir dessa premissa que o diretor Christopher Nolan trilha o caminho que seu filme vai seguir. A história é conduzida a partir de três perspectivas diferentes, em uma narrativa apresentada de forma não-linear. A já conhecida brincadeira com o tempo, que marcou o diretor, é bem costurada e funciona com o roteiro.

O foco do filme está no evento como um todo e não em construir heróis isolados. Não vemos em momento algum o rosto dos nazistas, não temos a personificação dos vilões, mas sabemos que eles estão presentes e suas ações geram um grande impacto ao público e momentos de extrema angústia.

Dunkirk tem na imersão do público o seu maior mérito. A escolha de um roteiro foge do didatismo e verbalizações, proporciona a sensação única de estar vivenciando os eventos da tela. Somos transportados diretamente para a praia em câmeras que seguem os soldados, ficamos angustiados com cada tentativa de resgate malsucedida e com cada ataque das forças inimigas.

Soldados aguardando o resgate. Foto da Warner Bros.

A edição de som e a trilha sonora tem papéis vitais nessa imersão e funcionam em conjunto. A distinção de ruídos, o som das bombas caindo e das balas atiradas impressiona e encontra um aliado ideal na trilha sonora de Hans Zimmer, que é constante e marcante até o final, ditando o tom amargo de uma guerra. O silêncio também tem seu espaço e funciona muito bem, dando mais peso aos acontecimentos que o sucedem. A fotografia de Hoyte Van Hoytema (Interestelar) além de ser bela, contribui para toda a atmosfera funcionar com perfeição.

A decisão mais controversa do filme foi o caminho escolhido e desenvolvido para os personagens. O elenco, que reúne nomes como Tom Hardy (Farrier), Cillian Murphy (Soldado resgatado pelo barco), Mark Rylance (Mr. Dawson) e Harry Styles (Alex), não tem grande destaque ou foco, tornando superficial o vínculo que deveríamos criar com os personagens, que não têm um grande drama pessoal, o que dificulta o elo com o público. Isso pode ser visto como um ponto fraco para alguns, no entanto, parece ter sido a real intenção do diretor, como uma maneira de dar mais realismo ao cenário e ao evento em geral. Essa ligação faz falta em alguns momentos, mas não compromete a grandiosidade do longa, pois mesmo sem um protagonista definido, os arcos conseguem ser bem resolvidos e nenhuma atuação deixa a desejar.

Não espere a mesma abordagem de filmes clássicos de guerra aqui, pois ele não é e nem tenta ser um deles. O longa tem seu próprio estilo e funciona, trazendo um novo ar ao gênero.

Dunkirk é perfeito tecnicamente, complexo e intenso em transmitir a angustiante luta pela sobrevivência. Vale a pena assistir no cinema e na maior tela possível para a total imersão.

Trailer:

Avaliação Final

100%
100%
Excelente

Dunkirk (2017)
(Dunkirk)
País: EUA, Reino Unido, França | Classificação: 14 anos | Estreia: 27 de Julho de 2017
Duração: 108 min.
Direção: Christopher Nolan | Roteiro: Christopher Nolan
Elenco: Fionn Whitehead , Tom Glynn-Carney , Jack Lowden , Harry Styles , Aneurin Barnard , James D'Arcy , Barry Keoghan

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Natural da Cidade Imperial/RJ, não subestima o lado negro da força, nem quando precisa lidar com seu bolso vazio a cada lançamento de Action Figure. Sabe que, na Terra Média, o Frodo precisa do Samwise, assim como jogos FPS precisam de mouse e teclado. Enquanto não é consumido pelas chamas, relaxa lendo Tolkien.

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