Mulher-Maravilha – Crítica

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Após décadas de espera, a maior heroína dos quadrinhos finalmente chegou nas telonas em seu filme solo. Junto com ela, um caminhão de pressão nas costas da Warner e da DC, que vem sofrendo com os críticos e um número exagerado de boatos negativos sobre seu universo expandido no cinema. Mas nada disso é capaz de parar a Princesa de Themyscira.

O novo filme do DCEU (Universo Estendido da DC) nos conta a origem da princesa das Amazonas, vivida pela atriz Gal Gadot, pelos olhos da diretora Patty Jenkins, que faz um trabalho extremamente competente e memorável conduzindo o longa.

Com roteiro escrito por Geoff Johns e Allan Heinberg, baseado na história de Zack Snyder, Mulher-Maravilha inicia sua jornada mostrando a infância de Diana na Ilha Paraíso, com o seu árduo treinamento junto as Amazonas e os obstáculos que sua mãe Hipólita (Connie Nielsen) colocava em seu caminho com medo da filha se machucar lutando contra seus inimigos.

Themyscira é retratada com muitos detalhes e uma fotografia impecável, que nos faz acreditar realmente na existência da Ilha Paraíso. A cada tomada e ângulos diferentes vemos novos detalhes em cena que dão um tom de realidade necessária para nos fazer acreditar na existência da ilha.

Logo em seu primeiro ato temos a primeira sequência de batalha, onde conhecemos todo o potencial de estrago dos homens ao mesmo tempo em que vemos todo o poder e coragem das Amazonas. É aqui o primeiro contato de Diana com os homens, ao resgatar o oficial da aeronáutica Steve Trevor (Chris Pine) e começar a descobrir a diferença entre suas realidades e o mundo onde vivem.

Com o primeiro contato e uma missão estabelecida (dar um fim na “guerra para acabar com todas as guerras”), Steve Trevor e Diana partem juntos para Londres e o front da Grande Guerra. Mais uma vez a fotografia do filme dá as caras de maneira brilhante, conseguindo nos mostrar o contraste de toda a beleza e cores vivas da ilha de Themyscira, intocada pelos homens, até o céu cinzento e toda a destruição que uma guerra é capaz de gerar presente em Londres.

Amazonas em Themyscira

A partir desse momento podemos apreciar todo o carisma e a química de Chris Pine e Gal Gadot em cena. A interação entre seus personagens flui de maneira natural e prende nossa atenção. Uma grande jornada de aprendizado mútuo, que transmite a emoção necessária.

O elenco de apoio é de peso e também funciona muito bem, tanto nas Amazonas, com a Rainha Hipólita e sua irmã Antíope (Robin Wright), como no elenco que acompanha a jornada da heroína pelo front da guerra. Nos apegamos a cada personagem, por menor que seja o tempo de tela deles. Mesmo naqueles que servem apenas como um alívio cômico.

O humor está presente na medida certa ao longo do filme. Com boas piadas e sacadas sem exageros, que funcionam muito bem no roteiro trazendo uma leveza nos momentos corretos. Um balanço cirúrgico entre o humor e a carga dramática necessária com a chegada das cenas da Grande Guerra.

Se de um lado a carga emocional com os mocinhos funciona muito bem, o mesmo não se pode dizer dos antagonistas. Um problema recorrente em filmes de heróis e que se repete por aqui. Pouco explorados, os antagonistas não são bem desenvolvidos e não deixam sua marca. Mas num filme que tinha como objetivo principal construir e moldar as bases da super-heroína, não chega a ser um problema grave. Na realidade o grande vilão aqui é justamente todo o horror e a destruição causados pela Grande Guerra. E ela se faz presente do começo ao fim.

Embora a fotografia seja um grande acerto na parte técnica, junto com os figurinos de época, vale citar que o CGI deixa a desejar em algumas cenas de luta, onde fica muito perceptível o seu uso, parecendo um jogo de videogame. Mas ao mesmo tempo em que falha nessas cenas, o CGI também nos entrega uma das tomadas mais bonitas no final do terceiro ato.

Gal Gadot como Mulher-Maravilha

Gal Gadot cumpre o seu papel com maestria na pele de Diana. Se no passado sua escolha foi criticada por algumas pessoas, hoje é pouco provável que alguém questione seu lugar como Princesa das Amazonas. Com o carisma e ingenuidade necessários em todas as suas cenas descobrindo um novo mundo, até seu vigor e coragem em cenas de batalha, temos a demonstração perfeita de que ela nasceu para ser a heroína.

Mulher-Maravilha tem roteiro e direção impecáveis, com uma fórmula que vai direto ao ponto, sem correr demais ou colocar informações desnecessárias, ao mesmo tempo em que não cansa. A prova de que filmes de origem ainda podem ser contados com paixão e que conseguem transmitir a esperança. Além de corrigir um erro histórico e finalmente mostrar todo o potencial e imponência da Mulher-Maravilha nas telonas.

Alguém ainda duvida dela?

Avaliação Final

90%
90%
Ótimo

Mulher-Maravilha (2017)
(Wonder Woman)
País: EUA | Classificação: livre | Estreia: 1 de Junho de 2017
Direção: Patty Jenkins | Roteiro: Allan Heinberg e Geoff Johns
Elenco: Gal Gadot, Chris Pine, Robin Wright, Connie Nielsen, David Thewlis, Lucy Davis, Danny Huston, Ewen Bremner, Elena Anaya

  • 4.5
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Natural da Cidade Imperial/RJ, não subestima o lado negro da força, nem quando precisa lidar com seu bolso vazio a cada lançamento de Action Figure. Sabe que, na Terra Média, o Frodo precisa do Samwise, assim como jogos FPS precisam de mouse e teclado. Enquanto não é consumido pelas chamas, relaxa lendo Tolkien.

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