Homem-Aranha: De Volta ao Lar – Crítica

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Homem-Aranha: De Volta ao Lar resgata o herói da Marvel nas telonas sem medo de se afundar no mundo adolescente e humanizar personagens.

O passado do Homem-Aranha no cinema viu sua franquia falhar após anos de triunfos, mas o herói retorna à glória após um acordo entre Sony e Marvel, resgatando o personagem desgastado de anos passados. É  hora de levar Peter Parker ao Universo Cinematográfico Marvel – de onde nunca deveria ter saído – para se juntar ao Homem de Ferro, Capitão América, Viúva Negra, entre outros mais.

Com o início das filmagens de Capitão América: Guerra Civil, um dos arcos mais relevantes da Marvel nos quadrinhos, e a confirmação do acordo entre as empresas, fãs voltaram seus olhos à internet para descobrir quem seria o novo Homem-Aranha. Tom Holland é escalado e se junta ao elenco do terceiro filme do Capitão, e, mesmo que brevemente, mostra que o novo Homem-Aranha do cinema pode ser o Homem-Aranha definitivo. A intermitente necessidade dramática dos filmes passados é deixada de lado e a perfomance do ator era o que todos há tempos esperavam. Com seu traje homenageando eras de outrora do personagem, e adicionando a tecnologia Stark à sua estrutura, o herói cativou o mundo durante o combate em Guerra Civil, mas agora é sua hora de brilhar sozinho.

A cena inicial de Homem-Aranha: De Volta ao Lar, que se passa meses após a Batalha de Nova York do primeiro filme dos Vingadores, já define os motivos que levam Adrian Toomes (Michael Keaton) a se tornar o vilão Abutre. Caberá ao Homem-Aranha impedir o sucesso do antagonista, que, curiosamente, entrega seus momentos mais marcantes sem seu traje voador. A forma como sua crescente ameaça se desenrola é surpreendente, e, mesmo explorando o lado mais humano do vilão e elenco de apoio, o filme encontra segurança em seus atores, todos em harmonia impedindo dissonância na narrativa e história.

A tentativa de simular os filmes adolescentes dos anos 80, tendo John Hughes como grande expoente do gênero, é o encaixe perfeito para as cenas da vida escolar de Peter Parker e seus colegas, abrindo caminho para referências à cultura pop e ajudando na construção e a conexão entre cenas. Liz (Laura Harrier) vive o grande interesse amoroso do jovem herói, e cresce durante a trama ao vermos a história desenrolar seus nós mais intensos, mas é abruptamente interrompida quando grandes segredos são revelados. Ned (Jacob Batalon), melhor amigo de Peter, canaliza diversas cenas cômicas do filme, também arriscando momentos como sidekick do herói. Uma incógnita durante toda publicidade de De Volta ao Lar, Michelle (Zendaya) se apresenta como uma irreverente estudante que chama atenção em suas curtas cenas. O já conhecido Flash continua sendo a pedra no sapato escolar de Peter. Embora não seja agressivo como nos outros filmes, o personagem interpretado por Tony Revolori não se cansa de fazer referências inoportunas com o nome de Parker. Outro já conhecido personagem do Universo Cinematográfico Marvel que dá as caras é Happy Hogan, do ator Jon Favreau. Encarregado de observar os atos do cabeça de teia, Happy ganha grande destaque no filme, também servindo como alívio cômico. Na contra-mão da importante e conselheira Tia May que vimos na trilogia do herói estrelada por Tobey Maguire, a versão de Marisa Tomei é deixada de canto, praticamente ignorando a personagem.

Guerra Civil foi o primeiro grande teste do Homem-Aranha para se juntar à equipe dos grandes super-heróis e provar seu valor, e De Volta ao Lar segue a trajetória do adolescente com grandes poderes e responsabilidades ainda maiores. E é aqui que De Volta ao Lar triunfa: explorando a ingenuidade e a humanidade do jovem que precisa dividir sua vida combatendo o crime, se relacionando com outros estudantes, e tentando se mostrar digno para Tony Stark e para si mesmo.

O filme não tem preguiça em referenciar alguns grandes momentos do Aranha nos quadrinhos, mas falha ao entregar a ação que permeia a vida do personagem. Mesmo que apresente um ponto de virada onde o Homem-Aranha precisa superar suas próprias convicções e capacidades físicas para atingir o máximo de seu poder a fim de superar o que parece ser impossível, De Volta ao Lar é despretensioso e não possui uma grande cena para tirar o fôlego do público, preferindo apostar em reviravoltas e revelações de segredos muito bem escondidos.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar faz renascer o herói de seguidas gerações por não ser uma história de origem, e sim, de superação. A parceria entre Marvel e Sony funciona, consolidando Tom Holland como o Homem-Aranha que esperávamos ver nas grandes telas de cinema. O futuro do herói no Universo Cinematográfico Marvel ainda é desconhecido, mas seu caminho tem tudo para continuar emocionante e fantástico.

90%
90%
Muito Bom

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017)
(Spider-Man: Homecoming)
País: EUA | Classificação: livre | Estreia: 06 de Julho de 2017
Direção: Jon Watts | Roteiro: John Francis Daley e Jonathan M. Goldstein
Elenco: Tom Holland, Robert Downey Jr, Marisa Tomei, Michael Keaton, Jon Favreau, Zendaya Coleman, Jacob Batalon, Laura Harrier, Tony Revolori, Bokeem Woodbine, Donald Glover, Kenneth Choi, Garcelle Beauvais

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Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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