Mass Effect Andromeda – Crítica

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Quarto game da franquia criada pela BioWare, Mass Effect Andromeda apresenta evoluções no combate, mas sua narrativa fraca pode desapontar os fãs.

A trilogia original Mass Effect se sustenta em grandes trunfos, desde seus personagens únicos e relacionáveis, à sua ameaça principal: os Reapers. Em busca de uma nova galáxia para estabelecer a humanidade e outras raças alienígenas, partimos para Andrômeda, berço de potenciais planetas capazes de sustentar vida. Ao chegar, nos deparamos com a destrutiva energia Scourge e os Ketts, uma raça que tem planos diferentes dos exploradores que vieram da Via Láctea. E, embora antagonizem o game, os Ketts não chegam aos pés dos terríveis Reapers. Largando o posto de Comandante da trilogia original, jogamos na pele de um(a) explorador(a) conhecido(a) como Pathfinder.

Enquanto Shepard busca aliados e combate inimigos em sua dura jornada, Andromeda não consegue atingir o mesmo peso em sua narrativa. Missões para construir relações com seus aliados não chegam ao mesmo patamar da trilogia original, já que falta carisma a seus personagens. Mesmo possuindo mais opções de diálogos, construir o caráter de seu Pathfinder se torna vago, e, no final, não há a sensação de que você lutou o suficiente para conquistar sua equipe, como em Mass Effect 2, por exemplo.

O grupo de planetas em Heleus, que formam a galáxia de Andrômeda, possuem ruínas antigas guardadas pelos sintéticos Remnants, e, ao serem acionadas, têm o poder de Terraformação, ou seja, modificar sua atmosfera para sustentar vida, mas não passam de missões repetitivas que envolvem puzzles no formato Sudoku e que, ao avançar no game, se tornam cansativas. Infelizmente, a mesmice começa a tirar o brilho do game.

Se a narrativa e personagens fracos não se equivalem aos da trilogia original, Andromeda oferece uma vasta opção de sidequests. Viajar pelo aglomerado de planetas lhe renderá horas e horas de missões secundárias, perfeitas para encontrar armas e armaduras melhores, conhecer e se relacionar com outros personagens, e, principalmente, ganhar experiência. Este recurso lhe permite enriquecer a história fraca do game, elevando o nível da jogatina.

O novo sistema de combate do jogo também apresenta melhorias, mas essas melhorias são centradas somente em seu personagem. Agora, é possível criar quatro perfis de combate, podendo escolher classes Biotics, Techs ou Soldier. Cada uma lhe permite usar golpes diferentes, se adaptando aos também diferentes tipos de inimigos que encontrar. Na trilogia original, batalhas eram centradas em cover, ou seja, derrotar os adversários enquanto busca cobertura e proteção de caixas e paredes. Agora, podemos atingir inimigos mais próximos com os punhos, sendo bem mais divertido e menos pragmático.

Tais mudanças não surtem efeito em seus aliados, que, por muitas vezes, se quer atacam os adversários. Ou você encara os inimigos sozinho, ou precisa, constantemente, enviar ordens para seus aliados preguiçosos. Outro ponto positivo é o novo veículo terrestre Nomad, que não causa as dores de cabeça do antigo Mako da trilogia original.

Andromeda recebeu uma enxurrada de reclamações quanto as animações dos personagens, que, sem dúvida, beira o bizarro. Animações faciais preguiçosas foram esclarecidas pelo ex-animador da franquia, mas não são justificáveis. Sim, RPG’s são games extensos e trabalhosos, mas há inúmeros exemplos de games complexos que não sofrem do mesmo problema. No decorrer do jogo, as bizarrices são esquecidas, e não influenciam na sua jornada, mas há momentos que assustam. Bugs são recorrentes e é preciso paciência, pois a imersão é quebrada em momentos importantes do game.

Mass Effect Andromeda sofre em momentos técnicos e a história fraca em relação a seus antecessores, mas o carinho com a jogabilidade e combates são visíveis e conseguem nivelar o fracasso com sucesso. O simples fato de poder voltar à uma das franquias mais legais dos games é o suficiente para entregar um bom jogo. Há muito o que melhorar, mas o futuro não parece ser tão nebuloso quanto parece.

60%
60%
Bom

Desenvolvedor: BioWare
Publisher: EA Games
Plataformas: Playstation 4 / Xbox One / PC
Engine: Frostbite Engine
Data de Lançamento: 21/03/2017

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About Author

Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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