Logan – Crítica

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Em um gênero que vem sofrendo com desgastes e críticas, a Fox conseguiu encontrar o tom ideal e se reinventar. Logan consegue fugir da mesmice e nos mostra o herói que sempre quisemos ver no cinema, mas de uma maneira muito mais humana, com o personagem carregando cicatrizes e o peso de toda a sua jornada.

Mas não se enganem, Logan não é um filme clássico de super-herói, mas sim um filme de ação com elementos de road movie, onde tudo vai se desenrolando no caminho. Logo de cara podemos citar a fotografia do filme, bela e melancólica ao mesmo tempo, combinando com o estado atual dos personagens e com o tom do longa.

O diretor James Mangold soube trabalhar muito bem toda a atmosfera emocional do longa e dos personagens. Wolverine (Hugh Jackman) e Xavier (Patrick Stewart) apresentam nitidamente as marcas do tempo, acabados e esgotados com tudo que viveram. A relação entre os dois ao longo do filme transparece a tristeza com o passado, misturados com momentos de descontração colocados de maneira muito sutil. Uma relação de pai e filho, que emociona e entristece. Stewart encerra seu arco como Xavier com uma ótima atuação, transparecendo tristeza no olhar e impotência diante da situação em que se encontra.

Toda a brutalidade que os fãs de quadrinhos sempre quiseram ver no Wolverine, se faz mais do que presente em Logan. As cenas de ação são viscerais e impactantes, com muito sangue presente, além do instinto animal do personagem.

Outro grande destaque do filme fica por conta da pequena Laura (Dafne Keen). Pequena, mas sanguinária no papel da X-23. A personagem é carismática e conquista o público logo no começo, seja por seus gestos tristes de uma criança sem infância ou por sua forte personalidade e relação primitiva com Logan. Parte desse encanto é quebrado na segunda metade do filme, mas mesmo assim a personagem consegue nos emocionar.

O filme não é perfeito, tem algumas falhas na estrutura do roteiro com atos desproporcionais, além de perder um pouco do brilho a partir da segunda metade. Alguns vilões foram mal aproveitados e até mesmo descaracterizados no filme, sem um grande arco para acrescentar. Ainda assim estamos diante de um filme corajoso, demonstrando que a Fox tomou decisões acertadas em realizar filmes com classificação indicativa maior.

Hugh Jackman em Logan

Hugh Jackman demonstrou em tela não só o amadurecimento do personagem, mas também o dele como ator, crescendo junto com o Wolverine e tendo sua despedida digna. Hugh se entregou de corpo e alma, tendo grande destaque nas cenas de batalha e conseguindo demonstrar um corpo cansado e frágil, definhando aos poucos.

Logan encerra o arco dramático de Wolverine de maneira competente e emocionante. Estamos diante de um filme de ação e não de super-heróis, bebendo na fonte de outros clássicos como Os Imperdoáveis de Clint Eastwood e Os Brutos Também Amam de George Stevens.

Podemos agradecer por assistir uma história forte, com ótimas atuações e a coragem necessária para fugir da fórmula padrão de filmes de heróis e lamentar pela despedida de dois grandes atores que conseguiram transmitir todas as emoções e sentimentos dos personagens de uma maneira tão avassaladora.

Logan não é o melhor filme de heróis já feito. Mas certamente é o filme que o gênero precisava nesse momento.

Avaliação Final

90%
90%
Ótimo

Logan (2017)
(Logan)
País: EUA | Classificação: 16 Anos | Estreia: 2 de Março de 2017 | Duração: 2h17 min.
Direção: James Mangold | Roteiro: David James Kelly , Michael Green
Elenco: Boyd Holbrook , Hugh Jackman , Patrick Stewart , Elizabeth Rodriguez, Dafne Keen

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Natural da Cidade Imperial/RJ, não subestima o lado negro da força, nem quando precisa lidar com seu bolso vazio a cada lançamento de Action Figure. Sabe que, na Terra Média, o Frodo precisa do Samwise, assim como jogos FPS precisam de mouse e teclado. Enquanto não é consumido pelas chamas, relaxa lendo Tolkien.

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