Rogue One: Uma História Star Wars – Diretor faz revelações sobre o filme

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Gareth Edwards, diretor de Rogue One: Uma História Star Wars, fez algumas interessantes revelações sobre o filme.

Retirado do site Empire Online, este texto contém spoilers.

Em entrevista ao Empire Podcast, Edwards comentou o processo de filmagens, personagens, cenas e até sobre material excluído do filme:

1. Dirigir Rogue One foi como voltar à infância

Gareth Edwards durante as filmagens de Rogue One

“Eu tinha dois anos quando Star Wars chegou aos cinemas. Você cresce com bonecos de Star Wars, AT-AT’s, X-Wings, e esse é o mundo que te prometeram. De repente, você percebe que é uma grande mentira e vê que a vida é bem entediante. Todos me perguntavam ‘não foi uma loucura fazer Star Wars?’ e eu dizia, ‘não, foi normal. É o que anunciaram nos folhetos quando éramos crianças e é a vida que é terrivelmente pior.’ Fazer um filme Star Wars durante dois anos foi como voltar à vida normal de um jeito estranho. É como o que você imaginava que tudo seria quando você era criança.”

2. Rogue One era o único filme sobre Star Wars que Edwards queria dirigir

A equipe Rogue One liderada por Jyn Erso (Felicity Jones).

“Honestamente, não sei o que estão planejando para o resto dos filmes, eu sinto que se tivessem me oferecido qualquer outra coisa, mesmo os filmes da saga, eu diria ‘não, eu quero fazer Rogue One’, porque está conectado com o filme que me fez querer trabalhar com cinema.”

3. A introdução com o letreiro estava no primeiro rascunho do filme

Letreiro do Episódio VI: O Retorno de Jedi

“O primeiro roteiro que Gary Whitta escreveu tinha o letreiro nele – e você aprende que “há muito tempo numa galáxia muito, muito distante possui quatro pontos, e não três. Em algum momento, provavelmente seis meses antes das filmagens, estávamos em uma reunião e eles falaram sobre não haver o letreiro no filme porque são filmes derivados, não fazem parte dos da saga. E, para ser honesto, fiquei meio, ‘o queee? Eu quero o letreiro!’ A abertura é como o letreiro do nosso filme. E nosso filme nasceu de um letreiro – a razão para existirmos é porque estamos em um letreiro [é a partir do letreiro de Uma Nova Esperança que sabemos que os Rebeldes roubaram os planos da Estrela da Morte, assunto tratado no filme Rogue One].

4. As famosas transições de cenas da saga ficaram de fora

Exemplo de uma transição de cenas em Uma Nova Esperança.

 “Nós tínhamos versões do filme com as transições, mas sentimos que elas só estavam lá porque era permitido. Essas transições são as coisas mais cafonas do mundo. A única maneira de usá-las sem ser cafona é em Star Wars. Havia uma parte em mim que queria as transições e coisas do tipo, mas o filme deveria ser diferente. Tínhamos a permissão do estúdio para sermos únicos em relação aos outros filmes, e usamos essa permissão para tentar chegar em algo maior.”

5. Materiais não utilizados de pilotos em filmes anteriores estão em Rogue One

Líder do Esquadrão Azul em Rogue One: Uma História Star Wars.

O diretor já havia confirmado esta notícia.

“Na nossa visita aos arquivos do Rancho Skywalker, no fundo do porão, haviam todos aqueles rolos de filme e disseram que eram negativos de Star Wars. E eu fiquei tipo, ‘que? Eles existem? Vocês já assistiram todos?” E disseram, ‘ainda não’. Eu falei, “oh meu Deus, alguém deveria sentar e digitalizar tudo isso. Eu pagaria por isso, sentaria e assistiria tudo. Posso?’ Então pegamos todos os arquivos e cenas dos pilotos de X-Wing e algumas outras coisas e as re-scaneamos. Ficaram perfeitas, mesmo que tenham envelhecido e precisaram de tratamento, mas eu precisava ter o Líder Dourado [Gold Leader] no filme. É engraçado, você faz isso para si mesmo como fã e pensa, ‘quantas pessoas irão notar essas cenas?’ Mas, durante a premiere, a cena em que ele aparece foi uma das mais ovacionadas. Eu até dei um soco no ar.”

6. Edwards ficou muito feliz em incluir o leite azul no filme

Tia Beru serve leite azul ao tio Owen em Uma Nova Esperança.

“Eu amo toda essa coisa de leite azul. Quando eu tinha trinta anos, fui para a Tunísia no meu aniversário e bebi leite azul na casa do Luke. Eu não acredito que planejamos isso, só estava lá durante a cena na cozinha, e havia um copo e pensamos, ‘será que conseguimos corante azul? Podemos deixar esse leite azul?” Mas há vários outros easter eggs [segredos escondidos] no filme. Até certo ponto, foi difícil não transformar o filme em um easter egg cheio de easter eggs. Eu sinto que poderíamos ter feito mil coisas e acabamos fazendo cinquenta.”

7. Se prestar muita atenção, você verá o diretor em uma cena de Rogue One

Edwards dirigindo uma cena de Rogue One: Uma História Star Wars.

“Eu tenho uma participação especial no filme, bem no final. Não sei se deveria dizer [em qual cena]…”

8. Edwards queria mostrar um lado diferente de Darth Vader

Darth Vader em Rogue One: Uma História Star Wars.

“Tenho inveja de momentos como em O Império Contra-Ataca, onde você vê a parte de trás de sua cabeça [Vader] e fica, ‘oh meu Deus, isso é tão legal’, e eu queria tentar encontrar algo similar no nosso filme. [A cena com o tanque de bacta] foi inspirada na ideia de Chris Cunningham, de estar no leite como no clipe All Is Full of Love [da artista Bjork]. Ele [Vader] é uma vítima de queimaduras, e não será divertido para ele quando não está no traje – ele ficará inconfortável. Eu também amo a ideia de mostra-lo vulnerável. Vader é muito, muito mal, e tentei mostrar algo que o dê humanidade, ou que faça com que você se simpatize com ele. Ele é um personagem muito rico.”

9. Peter Jackson viu a cena com Vader ser filmada

Peter Jackson dirigiu a trilogia O Senhor dos Anéis e a trilogia Hobbit.

“Estávamos em Pinewood [estúdio na Inglaterra], e Peter Jackson estava na cidade. Pensamos, ‘deveríamos trazer Peter aqui, deveríamos tentar fazer ele vir aqui.” Eu estava lá, prestes a filmar a cena e pensei, ‘ahh, quer saber, dane-se’, e mandei um email dizendo, ‘Peter, prestes a filmar Darth Vader. Caso queira vir, está acontecendo agora’, e ele respondeu, ‘estarei aí em meia hora!’ Ele literalmente entrou para ver aquela cena, que começa toda escura e é iluminada pelo sabre de luz. Independente do que eu faça na minha carreira, independente do que aconteça, será difícil superar a honra de ter dirigido aquela cena.”

10. O diretor não acredita que pôde matar tantos personagens em um filme da Disney

Death Troopers no planeta Scarif.

“É uma grande tradição Disney, matar todos os personagens em seus filmes…? [risos]Eu acho que havia uma versão inicial no roteiro [onde eles não morriam]. Eu achei que não poderíamos fazer isso, achei que não iriam permitir [matar todos os personagens], então tentei pensar em um final em que isso não acontecesse. Todos leram o roteiro e havia aquele sentimento de, ‘eles têm que morrer, certo? Podemos?’ E a Kathy [Kennedy, presidente da LucasFilm] e todos da Disney disseram, ‘é, faz sentido. Acho que precisam porque não estão em Uma Nova Esperança.’ A partir desse ponto, tivemos a permissão. Eu fiquei esperando alguém dizer, ‘quer saber, podemos filmar uma cena extra em que Jyn e Cassian estão bem e estão em outro planeta?’ Nunca aconteceu.”

11. Há um motivo para a cena com o TIE Fighter estar nos trailers e não no filme

Jyn Erso anda em direção a um TIE Fighter em cena não utilizada no filme.

“Houve um processo para refinar o terceiro ato em cenas e momentos específicos, então certas coisas ficaram de fora. Mas o que acontece é que o marketing ama essas cenas e dizem, ‘oh, nós temos que usar isso.’ E você diz, ‘bem, isso não está no filme’. E eles dizem, ‘não tem problema, é isso que o marketing faz, nós só usamos o melhor do que você fez.’ Então há essas pequenas coisas, mas no final você diz, ‘eu sei que isso não está no filme, mas seu espírito está lá.”

12. O ator de Grand Moff Tarkin, Guy Henry, deve sua “imitação” de Peter Cushing a Sherlock Holmes

Criação de Grand Moff Tarking através de CGI em Rogue One: Uma História Star Wars

“A diretora de elenco, Jina Jay, me mandou um clipe um dia. Lembro que estava com um dos produtores. Era um clipe de Guy Henry, e tudo sobre ele parecia Peter Cushing [ator original de Gran Moff Tarkin falecido em 1994]. Guy Henry começou sua carreira na TV no Reino Unido, interpretando Sherlock Holmes. Para entrar no papel, ele assistia a todos os filmes de Sherlock Holmes que Peter Cushing interpretou. Como ele tentou absorver tudo aquilo para seu personagem, e ficou famoso por isso, ele meio que manteve Peter Cushing dentro dele durante os anos. Assim que o clipe terminou, olhamos um para o outro e dissemos, ‘o encontramos.’ Eu tive que convence-lo a fazer o filme em um restaurante. Você, basicamente, vai para o ator e diz, ‘agora, você está no filme. É um filme grande. Se chama Star Wars. Mas nós não vamos ver seu rosto. Você irá se parecer com alguém totalmente diferente. E você não pode falar pra ninguém.”

Rogue One: Uma História Star Wars, que estreiou no dia 15 de Dezembro de 2016, é dirigido por Gareth Edwards e estrelado por Felicity Jones, Mads Mikkelsen, Alan Tudyk, Donnie YenBen Mendelsohn, Forest Whitaker, Diego LunaJonathan Aris, James Earl Jones e Riz Ahmed.

Você pode ler nossa crítica do filme aqui.

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Fascinado pela narrativa de J. R. R. Tolkien e pela evolução do entretenimento, encontra paz ao escrever sobre filmes, séries e games.

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